
Liberdade. Ela emergiu lentamente, sentindo-se envolta por aquela sensação. Era incompreensível que algo que desse tanto prazer fosse socialmente reprovável. Ou, ainda, protelado e sequer vivido. Ela pensou nas convenções e nas infinitas páginas de regras que pregavam a boa convivência e o comportamento aceitável. E pensou na maravilha que seria ignorar cada uma delas. Assim como fazia agora.
Seminua, ela sentia a cadência das ondas elevarem seu corpo e o devolverem ao lugar onde estava. Era como uma carícia suave. Como o movimento dos amantes. Brincando com aquele suave vai e vem, ela erguia o corpo e via seus seios emoldurados pelo verde da água e o azul do horizonte. Sua pele brilhava, enquanto a água escorria pelos seios, que logo se ocultavam na água novamente.
Não havia como negar o vigor que aquela liberdade proporcionava. Ela tirou a calcinha do biquíni e deixou que o mar a levasse. Sem olhar para trás, preferiu não pensar no que a aguardava quando quisesse sair da água. Pela primeira vez, viveu o momento. E pensou como seria maravilhoso se pudesse fazer isso com mais frequência... Simplesmente viver algo, sem pensar. Sem se podar. Só sentir.
Ela ficou ali, concentrada na delícia que era estar totalmente nua no mar. Vez ou outra trazia os seios à superfície, ou mergulhava, fazendo com que o sol que nascia tocasse seus braços, costas, bunda, pernas. Em alguns momentos somente boiava e curtia o calor que aos poucos tocava seus seios, barriga e os pêlos do seu sexo. Se havia prazer maior que estar nua no mar, ela não conhecia.
Imersa naquelas sensações, ela tomou uma decisão. A partir daquele momento, viveria o que decidisse que valia a pena. Seria guiada pelo bom senso, óbvio. Mas ele não falaria mais alto que a possibilidade do prazer intenso de uma experiência não planejada. Resoluta, ela mergulhou em direção à margem. E ergueu o corpo tarde demais para perceber que não estava sozinha.
Ela o conhecia... pouco. Moravam na mesma rua, se cruzavam em alguns eventos sociais e cultivavam o hábito de ir à praia ao amanhecer. Já haviam se encontrado ali antes, acenos e sorrisos que fluem automaticamente. Mas não havia nada social na forma como ele a olhava naquela hora. Aquele era o momento em que colocaria à prova sua resolução recém feita. E achou que não haveria melhor local para comprovar se levaria a sério aquela vontade de viver o que valeria a pena. O aceno, que deveria ser polido, foi um convite. E fizeram amor ali, na areia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário