
A mão dele subiu, suave, pela parte interna da coxa. Ela fechou os olhos e aboliu as barreiras. O que era certo, adequado, apropriado, recomendável. Sob suas palpébras, cenas obscenas amplificavam seu desejo e antecipavam seu prazer com arrepios. Lentamente ele seguia, como que sentindo cada poro, como se brincasse com cada pêlo. Ela percebeu que todos os seus sentidos estavam em alerta, embora ela estivesse deitada e lânguida. Ouvia a própria respiração, profunda e pausada, como se respirar exigisse demasiado esforço naquele momento. E ouvia a dele, rápida e forte, como se o ar não fosse suficiente.
O carro virou à esquerda e a mão dele se afastou abruptamente. Ela abriu os olhos. Mas, no momento seguinte, ele estava sobre ela de novo, a boca ansiosa, os olhos que não precisavam estar completamente abertos para guiar a mão, que reencontrou o caminho sob o vestido dela. Embora mil alarmes soassem em uníssono, pareciam sussuros diante da força daquele desejo. Era algo exótico e claramente proibido. Mas a transgressão a excitava. E ela colocou a mão sobre os lábios dele, no momento em que ele iria considerar algo - ela não queria considerar nada.
Os olhos dele quase sorriram. Como um sim silencioso, ela afastou as pernas, livrando o caminho para o que mais desejava. Lembrou de todas as vezes em que sentiu a vontade louca de sair sem lingerie. E, por um segundo, pensou que o dia teria sido perfeito se tivesse cedido àquela vontade naquela manhã. Mas no segundo seguinte estar ou não com lingerie perdeu a importância - as mãos dele subiam pela curva dos seus quadris e já puxavam sua calcinha. Em segundos ela estava nua sob aquele pesado vestido.
Ele a olhou intensamente, questionando. Ela devolveu o olhar, que brilhava de desejo e que o desafiava a prosseguir. Ele baixou o corpo e sob as mil saias, sentiu o cheiro - doce, que ela exalava. Ela tentou conter a vontade de erguer o corpo para antecipar o contato daqueles lábios com seu sexo. Esperou, impaciente. Então o nariz dele roçou nos seus pêlos e ele mergulhou naquela umidade que estava ali só para ele, tocando, lambendo, saboreando o que ela queria dar, desesperadamente.
Ela não conseguia vê-lo, tão imerso que estava nas suas saias. Deixou a cabeça pender enquanto registrava cada cheiro, sensação e impressão daquela situação tão absurda. Seus olhos fechados... Suas pernas totalmente abertas. E a voz dele, que sussurava loucuras no seu sexo. Ela sentia que, a cada sussuro, seu corpo se aproximava do orgasmo.
O veículo reduziu a velocidade e aos poucos gritos de viva e o ruído da rua chegaram à sua consciência. Ela não queria, mas abriu os olhos e viu o exato momento em que ele ergueu a cabeça, a boca molhada e os olhos que eram pura frustração. Rapidamente os dois tentaram se recompor e ele guardou sua calcinha no bolso. A porta se abriu e ela se viu diante da multidão que a aguardava. Pegou o buquê meio amassado que havia caído e sorriu palidamente.
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