quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Mentira


Os dias não pareciam tão longos. Enquanto trabalhava e resolvia questões cotidianas, as semanas fluíam. Já era dezembro! No entanto, bastava que a lembrança daquele beijo passasse por sua mente para que ela percebesse que o tempo não havia passado. Ao menos não o suficiente.

O que determina as escolhas e as entregas? Quais as variáveis implícitas - sobre as quais não temos sequer chance de controle - que orientam o apaixonar-se? Ela achava que sabia. E se apressava em enumerar o que a agradava: o olhar, o jeito de sorrir, as palavras exóticas que ele usava para expressar as idéias e o beijo... O beijo. Mas não poderia ser somente aquilo. Não parecia um argumento válido, algo que explicasse aquela falta.

Tudo o que queria era voltar àquela cama e estar sob aquele corpo. Queria perder a sanidade e as reservas, para tentar assim aceitar que um dia tudo acabaria. Mesmo sabendo que a dor seria a mesma. "Mas não seria pior do que sentia agora", mentia ela para si mesma.

Algo não estava acabado. Alguma história chegava ao fim sem o consentimento de ambas as partes?

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Noite de tempestade



Aqueles eram olhos expressivos. Castanhos... Transparentes. Olhos que diziam tudo, que pouco escondiam e que, naquele momento, estavam fixos nos dela. Em questão de segundos, provavam que não havia mais barreiras. Não havia o que negar - nenhum motivo seria bom o suficiente. Nenhuma razão seria convincente.

Ela não esperava, mas ali estava: a entrega. E o impacto daquele olhar fez parar o tempo, levando-a a uma realidade paralela que dissolvia o perigo e minimizava qualquer dano futuro. E aquilo parecia certo - como um encontro por muito tempo esperado. Ela estava completamente nua. Ele, semi-vestido. Era um quarto estranho. Ela era casada.

O dedo dele encontrou o caminho que ela ansiava e foi envolvido pelo sexo dela. Quente. Ela estava presa naquele olhar que agora gritava de louca vontade. Seus movimentos era vigorosos e ela sabia o prazer que ele queria proporcionar. Mas, por um momento, desejou que fossem lentos e pausados. Que sentissem cada milímetro da sua pele... Que a levassem a um êxtase que nunca acabasse.

E ela se entregou. Àquele estranho, naquela noite de tempestade. Deixou que ele a levasse, mesmo sabendo que talvez nunca mais fosse a mesma. Apesar de desconfiar que não se contentaria com uma única entrega. A despeito do quão breve teria que ser aquele encontro. E sabia que se entregaria sempre, sem reservas. Bastava estar na mira daquele olhar que despia a alma.