
Os dias não pareciam tão longos. Enquanto trabalhava e resolvia questões cotidianas, as semanas fluíam. Já era dezembro! No entanto, bastava que a lembrança daquele beijo passasse por sua mente para que ela percebesse que o tempo não havia passado. Ao menos não o suficiente.
O que determina as escolhas e as entregas? Quais as variáveis implícitas - sobre as quais não temos sequer chance de controle - que orientam o apaixonar-se? Ela achava que sabia. E se apressava em enumerar o que a agradava: o olhar, o jeito de sorrir, as palavras exóticas que ele usava para expressar as idéias e o beijo... O beijo. Mas não poderia ser somente aquilo. Não parecia um argumento válido, algo que explicasse aquela falta.
Tudo o que queria era voltar àquela cama e estar sob aquele corpo. Queria perder a sanidade e as reservas, para tentar assim aceitar que um dia tudo acabaria. Mesmo sabendo que a dor seria a mesma. "Mas não seria pior do que sentia agora", mentia ela para si mesma.
Algo não estava acabado. Alguma história chegava ao fim sem o consentimento de ambas as partes?
