
Abaixo, o decote. Ela desceu o olhar e admirou a curva dos seios, erguidos pelo sutiã. Eles pareciam querer liberdade e ela levou a mão até o zíper da blusa - mas hesitou. A dúvida repentina a surpreendeu. Não era a primeira vez que ela se tocava. A sensação de ter os próprios seios nas mãos já era conhecida. Ela sabia o que sentia quando roçava o polegar úmido de saliva nos mamilos rijos. Também conhecia o calor que descia pelo seu sexo, cada vez que se olhava no espelho, nua.
Agora, aquela dúvida. Ela ficou intrigada, mas baixou o zíper. No espelho, o reflexo de uma mulher totalmente vestida olhava curioso para ela. Por baixo da blusa, um sutiã rendado, daqueles que ela usava sempre que queria se sentir deliciosa. Uma lingerie que era, por si só, uma carícia. Ela se aproximou do espelho e analisou de perto o intricado tecido da renda, que abraçava seus seios quase carinhosamente. Por baixo, seus mamilos, que já apontavam ansiosos.
Ela passou a lingua pelos lábios, apesar de saber que aquilo era clichê. Mas queria que, quando levasse o indicador até a boca, seus lábios estivessem molhados. Após cuidar do zíper da saia, deixou que ela descesse pelos quadris e pelas pernas. Estava excitada, apesar da dúvida que a tinha surpreendido minutos antes. Voltou a encarar a mulher do espelho e percebeu como seus olhos castanhos já brilhavam de ansiedade.
Ela se afastou um pouco para ver por completo a figura que estava à sua frente. E levou a mão até a nuca, tocando, suave, aquela área tão erógena para ela. Suas unhas desceram pelo colo e passaram, suavemente pelos seios, sem se deter. Um arrepio indicou que ela estava indo na direção certa. Seus olhos, fechados, já não registravam a expressão de prazer do reflexo no espelho e para ela nada era mais importante que aquele calor... Aquela vontade.
Enquanto descia a mão em um toque delicado pelo vale entre os seios, ela sentiu o aperto do desejo e sabia que àquela altura estaria encharcada. Sorriu, maliciosa, para si mesma. Gostava do poder sobre seu corpo e da forma como ele reagia a seu próprio toque. Sabia que aquilo era prova da grande liberdade e intimidade que tinha consigo. Como entidades separadas, ela guiava seu desejo e seu corpo a seguia, obediente.
Uniu as duas mãos no ventre e elas desceram até a calcinha rendada. Sentiu a maciez dos pêlos e da pele depilada. Não era necessário, mas umedeceu o dedo, sentindo a unha roçar na lingua e o levou até o centro de todas as suas sensações naquele momento. Ela estava no ponto certo - à beira do conhecido abismo, de onde sempre voltava tão satisfeita. Seu toque a deixou fraca e se apoiou no puff onde sentava para calçar os sapatos todos os dias.
Lembrou-se que os seios ainda estava cobertos pela renda e levou uma mão até eles, libertando-os. Passou a língua no polegar e roçou nos mamilos, sentindo toda sua circulação sanguínea confluir para seu sexo. Seu toque, lento, não combinava com a urgência do seu desejo. Mas ela seguiu no mesmo ritmo, ignorando a vontade de chegar ao ápice daquela tortura. Abriu os olhos para se encarar no espelho, lutando para resistir ao que via. E foi então que se rendeu e se deixou levar, gemendo de prazer...
Ficou ali alguns minutos, sentindo. Então despiu a lingerie e pôs, sob a pele nua, o vestido que a aguardava. Era Dia dos Namorados e seu amado a esperava.
Nenhum comentário:
Postar um comentário