
Há tempos ela estava... à flor da pele. Seus olhares convidavam, seus toques nunca eram casuais e ela parecia fazer questão de sorrir misteriosa. Ela estava diferente, mas não tinha percebido. Embora privilegiasse o jeans para o dia e a noite, era como se caminhasse lânguida e nua. Ao menos era a impressão das amigas mais próximas que, discretamente, comentavam. E que se confirmava na reação espontânea dos homens à simples chegada dela.
De alguma forma, ela era sexual até mesmo no que deveria ser um simples contato social. Seu sorriso, somado ao genuíno interesse que nutria pelo o que o outro tinha a dizer, já era característico de qualquer conversa que tinha. No entanto, naquele momento, esse interesse suscitava os mais loucos pensamentos nos homens com quem conversava. E ela sequer notava.
Algo emanava dela
Tudo era intenso. Quente. Como um convite obsceno. Um desejo de viver tudo o que precisava ser vivido e amar tudo o que devia ser amado antes que deixasse de ser livre. Mas ela não estava prestes a trocar alianças, tampouco tinha algum relacionamento longo que poderia em breve se transformar em casamento. Por isso, o receio de perder a liberdade não se justificava...
No entanto, no momento em que se encontraram, ela percebeu que não havia vivido o suficiente. Não tinha experimentado o que deveria, nem se deliciado com o sexo como poderia. Ela não havia se entregado. Uma parte dela sempre ficara em separado, protegida naquele receio de não mais ser livre. Com um misto de tristeza e fascínio, ela entendeu. E percebeu que, a partir daquele momento, não havia volta. Nem pensou em argumentar com seus medos: pegou a mão que ele estendia e o seguiu.
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