sábado, 5 de julho de 2008

Sono inquieto



Ainda na cama, nua sob as pesadas cobertas do inverno, ela rejeitava a idéia de abrir os olhos. Seu corpo quente estava em alerta - o desejo exigia satisfação imediata. Ela ignorou os apelos da própria vontade e preferiu refletir sobre os motivos que a levavam a pensar nele com tanta frequência.

Bastava lembrar daquele olhar e ela se sentia como uma leviana, uma mulher que só precisava de um sorriso para ser levada para a cama. Sem nenhum pudor, ela saboreava a sensação de se sentir tão "fácil". Ela não queria esperar a segunda semana - como manda a regra nunca-transe-na-primeira-noite - para permitir que ele a beijasse inteira. Duas semanas era muito tempo!

Pensando a respeito, ela calculava de que forma poderia invadir o espaço dele. Literalmente. Ela não queria passar despercebida e tampouco gostava de ser ignorada. Não quando daria o que ele pedisse, nas circunstâncias em que ele determinasse. Ainda de olhos fechados, sentiu que estava pronta para ele naquele momento: úmido, seu sexo se contraía em suaves espasmos de desejo.

Ela até poderia passar o dia na cama - não havia melhor contexto para aqueles pensamentos. Mas não iria ceder àquela vontade... ainda. Jogando as cobertas, pôs os pés para fora da cama e olhou para a tatuagem que havia feito naquela semana. Um tributo à liberdade. Mas de que adiantava, se no fundo não estava liberta daquelas fantasias?

Irritada, tentou esquecer que havia sonhado com ele, de novo.

Nenhum comentário: